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sábado, 18 de outubro de 2008

José Mendes


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Sobre este artigo:
Este Blog nasceu para falar da vida e da obra de Gildo de Freitas mas hoje excepcionalmente escrevo também sobre José Mendes.
Se pouco existe sobre o Gildo na web o que dizer então sobre José Mendes?
Então este blog aproveitando essa lacuna e com duas músicas que estão nos Lps do Gildo abre uma exceção e neste artigo único sobre José Mendes vai tentar contribuir para manter viva a memória sobre José Mendes o “Gaúcho Seresteiro”.

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José Mendes:
Autor de sucessos regionais como Pará Pedro, As coisas do meu Rincão, Vá embora Tristeza entre outras têm em sua discografia oito Lps sendo sete gravados em vida e um pós sua morte . Nasceu em Lagoa Vermelha no distrito de Machadinho em 20 de abril de 1939, filho de Amâncio Mendes da Fonseca Sobrinho e Noemy Ferreira Guimarães. Quando tinha 5 anos seus pais se separaram, José Mendes vai morar em Santa Terezinha, no distrito de Esmeralda (na época pertencia a Vacaria) com seus pais adotivos, Amâncio Gomes da Fonseca e Maria Luisa da Silva Fonseca. Até 1958 levava a vida de peão de estância na região. Ainda em 1958 ingressou no serviço militar onde permaneceu até junho de 1959.
Em Julio de Castilhos no ano de 1960 participa do trio Os Seresteiros do Pampa, juntamente com Florentino Rezende e Dinarte Silva mas em 1961 sai do trio e retorna para Vacaria.
Em 1962 grava o primeiro Lp e com o sucesso viajapelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná com grande publicos.
Faleceu na fatídica tarde de sexta-feira dia 15 de fevereiro de 1974 as 16:20 no Km 14 da BR-471 entre Rio Grande e Pelotas na localidade do Povo Novo. A camionete veraneio ano 1969 se chocou de frente com um ônibus prefixo 12 da empresa Fonseca Junior matando todos os ocupantes da camionete. Estavam ainda na Veraneio Artur Mendes(seu irmão), Zequinha Silva(Gaiteiro) e José Norberto da Silva(Betinho- afilhado do Zé Mendes).
Discografia:

--> Passeando de Pago em Pago(1962)
  • Passeando de Pago em Pago
  • Roubei a Fazendeira
  • Cantando ao Luar
  • Porteira do Rio Grande
  • Não Sou Culpado
  • Saudade de Júlio de Castilhos
  • Excursão Catarinense
  • Sou do Rio Grande
  • Capital Gaúcha
  • Gaúcho Gaudério
  • Sem Teu Amor
  • Cruzaltense

Pára Pedro (1967)
  • Pára Pedro
  • Picaço Velho
  • Surpresa da Vida
  • Saudade de Lagôa Vermelha
  • Terra que Canto
  • Mensagem de Saudade
  • Mulher Feia
  • Canto da Siriema
  • Valsa do Adeus
  • Terra Brasileira
  • Corações Amantes
  • Última Lembrança

Não Aperta Aparício (1968)
  • Não Aperta Aparício
  • Saudades de Vacaria
  • Vá Embora Tristeza
  • Não Chores Chinoca
  • Pedras no Caminho
  • Esmeralda
  • Laçaços da Saudade
  • O Pranto dos Meus Olhos
  • Pequena Paisagem de Amor
  • Adeus Bragança
  • Gaudério

Andarengo (1969):
  • Andarengo
  • Uma Aventura a Mais
  • Hei de Amar-te Até Morrer
  • Para Amar Não Tem Distância
  • Vá Embora Tristeza
  • Parabéns
  • Couringando
  • Brasileiro Meu Irmão
  • Fronteira Que Não Faz Fronteira
  • Valsa das Mães
  • Nasci Para Você
  • Comadre Chica

Mocinho do Cinema Gaúcho (1970)
  • História dos Pedros
  • Acordeona do Nêgo Mendes
  • Palmeira das Missões
  • Quero Beijar-te Agora
  • Roubei a Fazendeira
  • Cantando Minha Palmeira
  • Não Espalha
  • Moda de Agora
  • Gaúcho Aventureiro
  • Sangue Criolo
  • Largo da Felicidade
  • Três Flores

Gauchadas (1971)
  • Churrasco
  • Palavra Triste
  • As Coisas do Meu Rincão
  • Chê Florência
  • Conversa Fiada
  • Rodeio de Vacaria
  • Roubo da Gaita Velha
  • Baile de Rancho
  • Três Companheiros
  • Minha Acordeona
  • Ciganinha
  • Lágrimas do Adeus

Isto É Integração (1973)
  • Isto É Integração
  • Pago Santo
  • Uma Cruz em Cada Mão
  • Herança
  • Baile de Campanha
  • Prece
  • Carancho
  • Volta Benzinho
  • Minha Biografia
  • Berço Saudoso
  • Mensagem de Artista

Adeus Pampa Querido (Póstumo,1974)
  • Adeus Pampa Querido
  • Roubei a Fazendeira
  • Cantando ao Luar
  • Porteira do Rio Grande
  • Não Sou Culpado
  • Saudade de Júlio de Castilhos
  • Balada da Solidão.
  • Sou do Rio Grande
  • Capital Gaúcha
  • Gaúcho Gaudério
  • Sem Teu Amor
  • Cruzaltense


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Seus Filmes:
José Mendes gravou três filmes, gravações realizadas pela Leopoldis Som e dirigidos por Pereira Dias. Foi o primeiro filme em cores aqui no Rio Grande do Sul e foi assistido por mais de 3 milhões de pessoas aqui no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e até na Bahia fez sucesso.
  • Pára Pedro -Gravado e lançado em 1969
  • Não Aperta Aparício-Gravado em 1969 e lançado em 1970
  • A Morte Não Marca Tempo- 1973
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Trovadores:
Poucos sabem mas ele teve companhia de celebres trovadores para compor suas músicas como Portela Delavy em ‘Para Pedro’ e também de Luiz Muller em ‘Terra Brasileira’, ‘Churrasco’ e ‘Gaúderio’. Luiz Muller para quem não conhece foi um respeitado trovador e para muitos que ouviram ele trovar rivalizava em talento para os versos com Gildo de Freitas. Entretanto não sei como se aconteceu essa aproximação e também desconheço que mesmo de brincadeira José Mendes tenha trovado.
Triste Fato
A trágica morte do José Mendes foi lamentada em um Lp do Gildo de Freitas em “Gildo de Freitas e seus Convidados”, música, letra e interpretação do Zé Mineiro. Trata-se da música Triste Fato. Esse Lp é de 1975 e a letra da música segue abaixo.


Triste Fato
(Zé Mineiro)

José Mendes o triste fato
Não me sai mais da idéia
Deixas-te letras famosas
Que tu vibravas as platéias
Primeiro foi Pará Pedro
Depois foi a Gaita Velha
Se tu levasse o violão
No céu faria uma estréia

Foi bem triste a sexta-feira
Que tu deixou de viver
Num acidente de carro
Que vieste a falecer
Deixaste tua patroa
E um filhinho a sofrer
Sofrendo a saudade tua
Por não poder mais te ver

Pra gente matar saudade
Eu já procurei um esquema
Pra escutar se bota um disco
Pra vê-lo vai-se ao cinema
Quando vai sua esposa
Fica cortida de pena
Por ver o gesto e a voz
È o artista é só a cena

Quando no radio anunciou
Eu senti forte badalada
As terras se estremeciam
As nuven ficou nublada
Em homenagem a sua alma
Veio forte chuvarada
E nunca mais escutei
Zé Mendes na madrugada

José Mendes e o sonho do Gildo:
Mas também nos versos e na voz do Gildo existe uma citação a José Mendes na música Sonhei que fui ao céu do lp Gildo de Freitas- Mais Sucessos de 1980.
Nessa música Gildo conta seu sonho, onde chega ao paraíso e em um palco de ouro encontra velhos companheiros de repentismo e músicos de sucesso que já haviam falecido. E nesse sonho ao lado de Ignácio Cardoso,Garoto de Ouro, Paulo Costa e Pedro Raimundo esta o Zé Mendes com seu violão cantando para Deus e Jesus Cristo. Tudo claro com a apresentação do Darci Reis Nunes. A letra da música segue abaixo.
Sonhei que fui ao céu
(Gildo de Freitas)
Está noite eu tive um sonho
Que no paraíso entrei
Eu vou contar pra vocês
Tudo o que lá encontrei
Quem morreu há muito tempo
No paraíso eu achei
Que sonho lindo e gostoso
Eu vi o Ignácio Cardoso
Com uma coroa de Rei
Perguntei o que era aquilo
O xirú me respondeu
Lá na terra eu trovei muito
Nunca ninguém me venceu
E Deus escutava as trovas
E tudo o que aconteceu
Gosto do meu improviso
Me trouxe pro paraíso
E essa coroa me deu

Eu vou indo pra uma festa
Por isso então te pergunto
Se tu queres ver de novo
A alma de algum defunto
Que cantavam lá na terra
Cantam aqui no meu conjunto
Aqui ninguém é tristonho
Já que vieste aqui no sonho
Te prepara e vamô junto
Dali fumos caminhando
Entramos em um salão
Vi Jesus Cristo sentado
Recebi sua benção
Era um palco só de ouro
E ali foi dada a função
Num gesto muito amoroso
Foi começando o Cardoso
A sua apresentação

E o Darci Reis Nunes junto
Fazendo a apresentação
Falando assim deste jeito
Um momento de atenção
Vamos receber com palmas
Zé Mendes e o violão
E recebendo estas palmas
Leva alegria pras almas
Cantando a integração
Até o garoto de ouro
Que fazia uma semana
Que tinha chegado lá
Com uma roupa mexicana
Cantou versos pra platéias
Acharam muito bacana
Como é lindo o outro mundo
E entrou Pedro Raimundo
Cantando Adeus Mariana

Têm sonho que dá prazer
E outro sonho desgosta
Falou o Darci Reis Nunes
Vou fazer uma proposta
Pra nois ouvir uma trova
Sei que a Santidade gosta
Foi outra salva de palmas
Trovaram então duas almas
O Cardoso e o Paulo Costa
Que sonho bonito meu
Juro por deus que gostei
Toda a saudade que eu tinha
Naquele sonho eu matei
Queriam até que eu ficasse
E com eles concordei
Porque gostei do programa
E nisso cai da cama
E na mesma hora acordei

Polêmicas dos versos:
José Mendes apesar do grande sucesso aparentemente não se envolveu diretamente com as polemicas de versos que existia na época entre Gildo e Teixeirinha. Até na letra Baile dos Cabeludos o envolvido neste baile foi o Portela Delavy co-autor de Pará Pedro muito mais por ser trovador do que ser parceiro do José Mendes e é claro que o objetivo maior era cutucar o Teixeirinha. Fato é que o sucesso do José Mendes ameaçou a hegemonia do Teixeirinha aqui no estado mas nada sugere que existiu uma rivalidade entre José Mendes e Teixeirinha tão pouco com o Gildo de Freitas. Abaixo um trecho da música “Baile dos Cabeludos” onde está o Delavy, parceiro do Zé Mendes em Para Pedro.
....e o pobre do delavy levou um susto tamanho
Se embreto cos cabeludo dentro dum quarto de banho
Naquilo eu ouvi um grito e notei que não era estranho....
... Delavy passo correndo e se foi aos auvoredo
E eu ouvi aquela voz pedro para, para Pedro....
Mas uma música do José Mendes, Conversa Fiada do long play “Gauchadas” é instigante, pois se supõe que José Mendes responda as criticas quanto ao seu estilo, entretanto criticas feitas por quem? Quando? Fato é que parece que algum artista da época o criticou. Ele fala até em Índio Recalcado, lembramos que alguns anos depois Teixeirinha tratou o Gildo como Cachorro Recalcado. Isso merece estudo e reflexão para se ter uma opinião final, mas desde já afirmo, não existe nenhuma música do Gildo alfinetando o Jose Mendes, claro tratando-se das músicas de sua discografia . Conversa Fiada chegou a ser gravada até pelo Porca Veia na década de 90. O ano da música é de 1971 e a letra segue abaixo.
Conversa Fiada
(José Mendes)

Com licença, meus amigos, colegas de tradição,
Escutem , prestem atenção é um gaúcho que canta
Que canta de peito aberto, por este Brasil a fora
As mágoas do peito chora melodias desta garganta!

Represento meu Rio Grande, em qualquer lugar que for
Sou gaúcho do interior criado na aragem fria
Do leste vou para o oeste, do norte vou para o sul
Debaixo de um céu azul, gauderiando noite e dia.

Sou um gaúcho muito franco, não gosto de falsidade
Franqueza e sinceridade, eu falo, digo e sustento
Estou pronto pra qualquer hora pra ajudar a quem precisa
Por bem me levam a camisa, mas por mal não vai nem um tento

Não gosto desses colegas que andam de papo furado
Andar conversando fiado comigo não acontece
Não ando enganando os fãs com falsa demagogia
Mentira e conversa fria este povo não merece

Meu anjo de guarda é forte tem o tino preparado
Pra alguns índios recalcados com mágoa de um cantador
Minha voz não desafina, solto o volume no peito
Fazendo certo sujeito sentir que eu tenho valor

Sempre ajudei meus colegas de ninguém tenho ciúme
Também não é meu costume desfazer dos companheiros
Se alguém não gosta de mim que seja franco e não negue
Nem mesmo Deus não consegue contentar ao mundo inteiro!

(destaquei alguns partes da música, quem será o certo “sujeito”?)
Considerações:
Espero que de alguma forma com este artigo, que fugiu as características deste blog, primeiro por não tratar unicamente do Gildo e segundo por ser tão extenso, tenha colaborado na preservação da memória do José Mendes e tenha levado a aqueles que não conheciam nada a respeito dele, tenham com este pequeno relato, conhecimento da trajetória do Jose Mendes.
Se alguém têm informações que possam ajudar neste texto, é só entrar em contato
jaisondb@gmail.com que tão prontamente eu atualizo ou faço correções.
Agradeço ao Pedrinho Mendes de Santa Maria, muitas informações que aqui estão foram obtidas com ele.
Semana que vem voltamos a tratar exclusivamente sobre Gildo de Freitas.
PS. Editado em 25 de outubro de 2008.

Para Acessar Letras das músicas do José Mendes, use o menu:

Eis aqui  dois filmes do Jose Mendes:
Para-Pedro upado por Tiaraju Mathyas





E Não Aperta Aparício upado por DjBetoMixCriciuma

3 comentários:

Giovane da Silva disse...

Eu adoro as músicas do Jé Mendes, mas sem desmerecer o Gildo. Deveriam fazer um blog do Zé Mendes, assim como esse do Gildo.
Tomara que se sigam mais artigos do Mendes. Um abraço de duas volta!

Daniel da Rocha Franco disse...

Meu nome é Daniel da Rocha Franco.

Tive o privilégio de conhecer Luiz Mueller, numa das visitas feitas por mim e o Ario Delavy, primo do Portela Delavy, em sua casa no bairro Niterói em Canoas, onde ele morava com sua irmã.

Para quem não sabe o Luiz Mueller era deficiente visual, e devido um acidente (queda de uma arvore), segundo ele mesmo nos contou, teria ficado cego.

Historia confirmada pela minha Mãe que foi amiga dele de infância, na Cidade de Ijui/RS.

Ele vivia deforma muito simples, numa casa humilde, já esquecido pelos amigos, isso foi entre 1980 a 1990.

Um velório comovente de poucos amigos e artistas presentes, mas ouve trova e cantorias, inclusive foi cantada o “Para Pedro”. Não me recordo, mas acho que quem trovou foi o Delavy.

Quero deixar registrado aqui, o que foi me dito pelo próprio Luiz Muller, que poucos artistas, tinham amizade com o Teixeirinha, que ele era uma pessoa arrogante, que não ajudava ninguém do meio artístico.

Minha sugestão que também se faça um blog para homenagear esse grande trovador dos nosso Pampas, Luiz Muller.

Daniel da Rocha Franco disse...

Meu nome é Daniel da rocha Franco!

Tive o privilégio de conhecer Luiz Mueller, numa das visitas feitas por mim e o Ario Delavy, primo do Portela Delavy, em sua casa no bairro Niterói em Canoas, onde ele morava com sua irmã.

Para quem não sabe o Luiz Mueller era deficiente visual, e devido um acidente (queda de uma arvore), segundo ele mesmo nos contou, teria ficado cego.

Historia confirmada pela minha Mãe que foi amiga dele de infância, na Cidade de Ijui/RS.

Ele vivia deforma muito simples, numa casa humilde, já esquecido pelos amigos, isso foi entre 1980 a 1990.

Um velório comovente de poucos amigos e artistas presentes, mas ouve trova e cantorias, inclusive foi cantada o “Para Pedro”. Não me recordo, mas acho que quem trovou foi o Delavy.

Quero deixar registrado aqui, o que foi me dito pelo próprio Luiz Muller, que poucos artistas, tinham amizade com o Teixeirinha, que ele era uma pessoa arrogante, que não ajudava ninguém do meio artístico.

Minha sugestão que também se faça um blog para homenagear esse grande trovador dos nosso Pampas, Luiz Muller.