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sábado, 7 de março de 2009

Gildo de Freitas Vs. Teixeirinha III

Confiram:

Gildo vs. Teixeirinha I

Gildo Vs. Teixeirinha II


O Respeito dos Bailes do Gildo de Freitas!


Depois das brigas das cobras chegou à vez dos Bailes e essa foi à parte cômica das brigas com as músicas “Baile de Respeito” e “Baile dos Cabeludos” de Gildo de Freitas e “Baile de Mais Respeito” do Teixeirinha.

Baile de Respeito é do segundo Lp que o Gildo gravou, o ano é de 1965 e o nome do Long Play é “O Trovador dos Pampas -Vida de Camponês”. Foi a primeira música que Gildo de Freitas gravou provocando Teixeirinha.

Em Baile de Respeito, Gildo de Freitas se superou em uma infinidade de versos bem rimados trucidando o Teixeirinha. Da parte do Gildo de Freitas foi a melhor das músicas dedicadas ao Teixeirinha. Gildo também inaugura um termo com o qual ele vai se referir ao Teixeirinha até sua morte em 1982 que é chamar Teixeirinha de “nanico”. E no fim não perde a oportunidade de também colocar a Mary Terezinha no Baile . Segue abaixo a letra:


Baile de Respeito


Eu fui num baile
Donde tava o Teixeirinha
Já criando ladainha
Cheguei arrastando a espora
Preguei-lhe o grito
Hoje o baile tem respeito
E Olhei firme pro sujeito
E já se mandou porta afora

-E vai te mandando nanico

Petiço da perna curta

Têm que largar primeiro


Foi coisa linda

O Teixeira disparando

O lenço branco avoando

E as velhas gritando atrás

E as prendinhas ficaram

Agarrada em mim

Cantando e dizendo assim

Aquele não volta mais

-Se voltar é pior pra ti


Aquelas velhas gritaram

No mesmo tom

O comedor de batom

Com esse susto ele se ajeita

A minha filha da comadre e da vizinha

Não que mais o Teixeirinha

Só querem o Gildo de Freitas

-E tá muito certo meninas

Vocês não tem mau gosto

Eu sou bonito mesmo


Com aquele ato

Eu fiquei dono do campinho

Todo cheio de carinho

E era aquele troca e pega

E foi assim que eu dancei a noite inteira

Enquanto o pobre Teixeira

Chorava lá na macega

-Pobre vivente, chorava mais que criança molhada


Aquele baile eu dancei barbaridade

Me diverti à-vontade até o dia clarear

Se levasse junto a Mary Terezinha

Eu creio que a coitadinha também ficasse por lá

-E essa eu não te entregava mais.



Mais Respeito ao Teixeirinha

A resposta do Teixeirinha também é de 1965, com o Baile de Mais respeito do Lp “Bate Bate Coração”.

Nessa resposta Teixeirinha já começa afiado, “petiço por petiço tu também é”, esse é o recado de inicio para Gildo de Freitas.

E tem como base o “Baile do Chico Torto” que é um grande sucesso do Rei dos Trovadores. E ao fim da música diz que acabou com a fama do comedor de Sucuri.

Outro detalhe é que essa é a primeira música que Teixeirinha não chama o Gildo de compadre, isso talvez demonstre uma certo descontentamento pelo Baile de Respeito. A seguir a letra:


Baile de Mais Respeito

Te prepara Gildo de Freitas que essa vai para ti,

Petiço por petiço tu também és.”

Sábado fui dar uma volta lá para as bandas do povoado

Por lá descobri um baile já fiquei todo assanhado

No salão do Chico Torto um reboliço danado

O Gildo de Freitas no centro batendo em gente lá dentro

Mas quando na porta eu entro ficou branco apavorado

-Sentiu o cheiro do carvão com pedra!


Dei um grito para a gaita Teixeirinha está chegando

Perguntei para o Chico Torto quem é que aqui está mandando

Me diz que é o Gildo de Freitas que o povo está respeitando

Eu disse, não manda mais, teu é pau e o meu é az

Disparou gritei de trás, te arranca que tão pegando


E o Gildo saiu comprido, porta a fora tropicando.

E as moças davam risada do seu pala abanando

Esqueceu um lenço e um chapéu e eu detrás sai chutando

Tropicou caiu num valo agarrei pelo gargalo

Vai cuidar do meu cavalo enquanto eu sigo bailando

-O baile hoje é só pra mim!


Fiz ressuscitar os mortos e acabei com a choradeira

E tomei conta do baile com trinta moças solteiras

Gritavam para o Gildo ouvir o mais bonitinho é o Teixeira

É mais novo e tem mais brilho e o Gildo fora dos trilhos

Cuidando do meu tordilho debaixo de uma figueira

-Cuidado que o sereno vai te fazer mau índio velho!


Quando foi no outro dia na hora que o sol desponta

Eu chamei o Chico Torto se tu és macho me afronta

Escrevi meu nome a bala no chapéu do mosca tonta

Acabou o teu conforto o pobre do Gildo ta morto

E o salão do Chico Torto eu fechei por minha conta


-Lá tu vai dança quando eu quise índio velho!

E soltei o Gildo de Freitas molhado que nem guri

Vai contar para os teus fãs o que eu te fiz por aqui

Acabei com a tua fama comedor de sucuri

Pois eu não sou o teu anzol tu só tem conversa molhe

Tu não briga é só farol, já chega tchau pra ti.


Os Cabeludos não querem os Grossos!


Gildo de Freitas em seu quarto Lp, gravado em 1968, “Gildo de Freitas E Sua Caravana” gravou Baile dos Cabeludos. Aparentemente não foi resposta ao Baile de Mais Respeito e também não foi respondido pelo Teixeirinha. Nessa música, Gildo conta que ele e o Compadre Teixeira junto com o Portella Delavy (na época um jovem trovador que já brilhava no Grande Rodeio Coringa na radio Farroupilha e que é co-autor da música Para-Pedro junto com o José Mendes) foram a um baile de cabeludos e foram impedidos de entrar porque eram grossos. Gildo aproveita para alfinetar a cabeleira do Teixeirinha e também provoca o Delavy e seu Para-Pedro. E por fim termina dizendo que o Teixeirinha se agarrou num homem parecido com a Mary Terezinha e foi obrigado a gritar:

-Larga que isso é homem, Teixeirinha!

Fiquem agora com a letra:


Baile dos Cabeludos


Um dia nesse passado se resolvemo a sai,
Eu o cumpadri Teixeira e o Portela Delavy
Fomo apreciar um baile que existia por ali
Um baile dos cabeludos vocês vão morre de ri
Vão ri porque não é com vocês!


Quando cheguemos no baile já foi aquele alvoroço
Os cabeludo dizendo tão de lenço no pescoço
Chego o chefe da sala e disse olha seu moço
Arretire seus amigo por que aqui não dança grosso
Que desaforo!

Foi ele me dize isso foi àquela fumaceira
Dei lhe dois tiro pra cima e o coitado do Teixeira
Tinha ido sem revolver deu de mão numa cadeira
Cada bordoada que dava levantava as cabeleira
Vai dando na cabeça até arranjar juízo!

E os cabeludo corriam que nem ovelha em rebanho
E o pobre do Delavi levou um susto tamanho
Se embreto com os cabeludo dentro dum quarto de banho
Naquilo eu ouvi um grito e notei que não era estranho

Trancaram a porta por fora e tavam lá naquele enredo
Eu atirei na fechadura pra descobri o segredo
Dellavy passou correndo e se foi aos auvoredo
E eu ouvi aquela voz Pedro-para, para pedro

E o meu cumpadi Teixeira quando termino a rinha
Se agarro num cabeludo dizendo assim essa é minha
Que menina parecida com a Meri Terezinha
Fui obrigado a gritar-Larga o home Teixerinha
Larga que isso é home rapaz!


Trova de Gildo de Freitas e Teixeirinha(montagem):


Para ilustração dessa passagem dos bailes eu fiz essa montagem com as três músicas simulando o que muitos historiadores dizem que foi “trova a distância”. Não ficou perfeita mas acho que vale a pena escutar.


Desse modo fechamos mais um capitulo das brigas, a parte mais amena e menos belicosa da relação entre Gildo de Freitas e o Teixeirinha. Se havia um trato entre os de trovarem a distância para aumentar o sucesso de suas carreiras até meados de 1968 foi cumprido amistosamente. E nessa batalha quem saiu vitorioso foi o Gildo com seus dois bailes. Mas a partir dos bailes a relação começa a ficar difícil de tal modo que se especula que houve um rompimento em 1975/76, mas isso é historia para mais adiante. Em Abril será a vez de mexer com que está quieto.


Confiram Gildo vs. Teixeirinha IV

Um comentário:

José Olivio disse...

Quanta saudades destes dois gauchos, que deicharam suas boas lembranças no mundo do disco, pena q eu não tenho certas reliquias deses dois pra rodar em meu programa de radio do teixeirinha eu tenho as q estão nesta montagem, mas as do gildo eu ñ tenho.
um abraço ti q com certeza cultua tais belas recordações...