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sábado, 29 de novembro de 2008

Gildo Vs. Teixeirinha I

Gildo engole a Sucuri....

Ainda hoje existem muitas duvidas a respeito da briga entre Gildo de Freitas e Teixeirinha, se ela era de verdade ou brincadeira mostrada através dos versos. A partir de hoje vou trazer aqui algumas respostas e colocar também mais algumas duvidas. Para isso passarei a explorar a historia do Teixeirinha. Sabe-se que por volta de 1950, Gildo (que até então era o mais famoso, reconhecido como trovador imbatível) conheceu Teixeirinha nas apresentações que fazia na radio Farroupilha de Porto Alegre e a partir de 1954 viajavam o Rio Grande do Sul animando bailes e festas. A seguir uma foto de uma apresentação do Gildo e Teixeirinha, Teixeirinha à esquerda com seu tradicional Violão e Gildo à direita com sua Gaita Todeschini de 8 baixos e ao centro este gaúcho de chapéu que não sei identificar, está ai então aos que me pediam uma foto do Teixeirinha e o Gildo, e com toda certeza o Gildo de Freitas e o Teixeirinha estão trovando.

As trovas entre Gildo e Teixeirinha chegavam a durar horas. Às vezes ficava impossível dizer quem vencia -As que vi foram algumas das experiências mais fantásticas da minha vida - conta o folclorista Antônio Augusto Fagundes, o Nico, amigo de ambos. Teixeirinha era, acima de tudo, um músico, um cantor e um compositor. Mas as lições de improviso que ele, oito anos mais novo, teve no período em que conviveu com Gildo foram fundamentais para moldar o homem que, com canções como Coração de Luto e Querência Amada, tornaria-se o mais popular artista local. A parceria durou até 1960 quando Teixeirinha gravou seu primeiro Lp. É nesse ponto que começa a polêmica briga entre Gildo e Teixeirinha. Gildo acusou Teixeirinha de quebrar um trato segundo o qual os dois gravariam o primeiro LP juntos. Já Teixeira, defendendo-se, afirmou que, se o amigo demorou em gravar, e mais ainda para alcançar o sucesso em disco, foi por culpa dele próprio. Em defesa de Teixeirinha existe o argumento que Gildo estava indeciso com seu futuro, entre a música e a lida rural(Gildo em Viamão chegou a criar porcos) e que ele Teixeirinha não podia esperar mais o amigo decidir. O tempo passou e mostrou que Teixeirinha tinha razão afinal não é por acaso que Teixeirinha é também conhecido como Rei do Disco. E as brigas acabaram trazendo sucesso e repercussão para ambos, apesar de alguns momentos de mais belicosidade do Gildo e Teixeirinha. Por isso Gildo de Freitas acabou respondendo músicas que não eram para ele como o Facão de três listras mas isso é assunto para o futuro.

De certo, entre 1950 e 1965, Gildo e Teixeirinha levavam um vida de compadres, encarando as provocações como brincadeiras.

Em 1963 em seu Lp “Teixeirinha Interpreta músicas de Amigos” existe a música Cobra Sucuri e para quem não sabe ela é de autoria do Gildo de Freitas e por ironia do destino o duelo de versos entre Teixeirinha e Gildo começa com Teixeirinha cantando uma música de autoria do Gildo que na verdade provocava o Teixeirinha. O primeiro Lp do Gildo foi lançado em 1964 mas aparentemente não havia uma provocação clara ao Teixeirinha, digo aparentemente pois acho que havia algo a mais no “Baile do Chico Torto” mas isso vamos analisar no artigo “Teixeirinha mexe com o Gildo”. A letra da Cobra Sucuri segue abaixo


Peço que prestem a atenção nas partes grifadas.



Cobra Sucuri

Letra: Gildo de Freitas

Interpreta: Teixeirinha(Teixeirinha Interpreta músicas de Amigos, 1963)


Eu às vezes tô me lembrando
De um bom compadre que eu tinha
Valente como um diabo
Pior que galo de rinha
Quando o compadre puxava
Sua faca da bainha
Até a própria polícia
Prometia mas não vinha.


Me contou um morador
Lá do rio Gravataí
Que na costa desse rio
Ninguém mais pescava ali
Porque diz que aparecia
Uma cobra sucuri
E aquela cobra fazia
Todos os pescadores fugir.

Eu contei pro meu compadre
Ele garrou pegou a ri
Convidou pra nós ir lá
E eu já me arrependi
Pra ele não embrabecer
Eu fui obrigado a ir
Lá na costa desse rio
Ver a cobra sucuri.

Nós chegamos na barranca
Eu senti um arrepio
Mas quando eu vi a cobra
O meu compadre também viu
A água fez uma onda
Na onda a cobra sumiu
E ainda por desaforo
Deu uns quatro ou cinco piu.

Meu compadre vendo a cobra
Já foi largando as tamancas
Deu um jeitinho no corpo
E da sua faca branca
A cobra veio piando
Veio subindo a barranca
E eu também já fui subindo
Num pé de figueira branca
.

Lá de cima eu tava vendo
Como um homem se desdobra
Aí vi que o meu compadre
Tinha destreza de sobra

Ele foi dando um jeitinho
Foi fazendo uma manobra
Em vez da cobra comer ele
Ele é quem comeu a cobra.

Depois da cobra comida
Meu compadre embranqueceu
Olhou pra mim e disse
Por que foi que tu correu?
Ora, ora meu compadre!
Tu bem sabe quem sou eu
Eu tava louco de medo
Da cobra que tu comeu
!


Com essa letra concluo a primeira parte, em 2009 continuarei com mais, pois após Sucuri veio a Jibóia e dessa o Gildo não gostou.


Vejam Também:

Gildo de Freitas x Teixeirinha II

Gildo de Freitas vs. Teixeirinha III

Gildo de Freitas Vs. Teixeirinha IV

5 comentários:

Giovane da Silba disse...

Esse tipo de letra webdings eu não consigo ler, apesar de eu conhecer muito bem essa letra. Mas outros não conhecem.

XERXES disse...

Saudades da minha infancia lendo isso... Uma banda de forró regravou essa cançaõ

julio disse...
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julio disse...
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Anônimo disse...
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